03.02.08
Gnosticismo, DeĂsmo e Docetismo
GNOSTICISMO
Gnosticismo ( palavra oriunda de “ gnosis “ = conhecimento ) é o nome comum aplicado a várias escolas de pensamento que surgiram nos primeiro séculos da era cristã. No que tange à “ gnosis ” cristã, isto se refere à tentativa de incluir o cristianismo num sistema geral filosófico-religioso. Os elementos mais marcantes neste sistema eram certas especulações místicas e cosmológicas, além da doutrina da salvação salientando o livramento do espírito de sua servidão á matéria. Como religião, o gnosticismo tinha seus próprios mistérios e cerimônias sacramentais, além duma ética que pregava ou o ascetismo ou a libertinagem. Possíveis origens do Gnosticismo Os Pais da Igreja e a tradição cristã atribuía a Simão, o Mágico ( At 8 ) a fundação do gnosticismo cristão. Podemos citar como líderes, mais provadamente definidos, a Satornino, Másilides e Valentino. Segundo um certo Hegesipo, citado por Eusébio numa de suas obras, o gnosticismo principiou entre certas seitas judaicas. Pais Eclesiásticos posteriores como Irineu, Tertuliano e Hipólito, por sua vez, sustentavam a opinião segundo a qual a filosofia grega de Platão, Aristóteles, Pitágoras e Zenão, era a principal fonte da heresia gnótica. O gnosticismo ensinava sua filosofia estava fundamentada no “ conhecimento ” ( gnosis ), não no sentido em nós interpretamos, mas no sentido esotérico, isto é, esse tipo de “ conhecimento “ era uma sabedoria mística, sobrenatural, mediante a qual os iniciados eram levados a um verdadeiro entendimento do universo e salvo deste mundo da matéria. O gnosticismo assemelhava-se às religiões místicas. Sua caracteristica de maior destaque, porém, era o sincretismo – meio através do qual procurava reunir os principais ensinos do Evangelho, interpretando-os à luz das formas mais absurdas das religiões misticas que nada tem a ver com o Novo Testamento. O Que Ensinava o Gnosticismo a respeito desses assuntos , que se segue abaixo: 1. O universo. Sustentava uma visão dualista ou dupla do universo, de origem persa, e uma doutrina da origem de Deus em torno do “ plerona ”, ou esfera central do espírito, provavelmente de origem egípcia. O conceito provavelmente mais fundamental – a saber, o caráter totalmente mau dos fenômenos, - vinha da combinação da teoria de Platão, filósofo e pensador grego, que ensinava haver grande contraste entre o mundo espiritual e o mundo visível. Ensinava que o primeiro, o mundo espiritual, era bom e que o homem deveria esforçar-se por readquiri-lo. O segundo, o mundo das coisas palpáveis era totalmente mau, verdadeira prisão para o homem. 2. Cristo. O gnosticismo ensinava que, uma vez que o mundo material é mau, Cristo não podia, em hipótese alguma, se encarnar. Ensinava que o aparecimento de Cristo teria sido como a aparição dum fantasma, ou tendo como habitação temporária o homem chamado Jesus. Seu nascimento duma virgem teria sido aparente, sem participação da natureza material e humana. Segundo o gnosticismo, tão grande era o contraste entre a vida terrena de humilhação e a pré-existência e pós-existência em glória, de Cristo, que a solução mais simples para o problema a seu respeito seria nega a sua existência. Por isso ensinava que Cristo, na realidade apareceu e ensinou os seus discípulos mas durante esse tempo, era também um ser celestial, e não carne e sangue. 3. A salvação. Para salvar-se, o homem precisa livra-se da prisão do mundo visível e seus poderes – os poderes planetários – o que se dá através de uma “ iluminação espiritual mística ”. É um acontecimento que põe seu seguidor em comunhão com o mundo das realidades espirituais. 4. O conhecimento. O gnósticos ensinavam que nem todos os cristãos possuíam o “ conhecimento ” salvífico, afirmando este era um ensinamento secreto transmitido pelos apóstolos aos seu discípulos mais íntimos. Era uma exposição de “ sabedoria entre os perfeitos ”, sendo isto uma falsa interpretação de 1 Cor 2.6. É verdade que embora Paulo estivesse muito longe de ser um gnótico, muita coisa há nos seus ensinos de maldosamente se serviam os gnósticos, torcendo a palavra de Deus. O contraste violento entre a carne e o espirito, o conceito de Cristo vitorioso sobre “ principados e potestade ” e a idéia de Cristo como homem vindo do céu ( 1 Cor 15.47-49 ). Em geral, as seitas gnósticas dividam os homem em grupos: os “ espirituais ” e os “ materias ”. Valentino posteriormente falava numa tríplice divisão: os “ espirituais ” – os únicos capazes de atingir o “ conhecimento ”, “ psíquicos “ – capazes de fé e de um certo grau de salvação, e os “ materiais ” – totalmente sem esperança. Sua expansão e conseqüente perigoso foram possibilitados pelo estado da igreja nos seus primórdios relativamente desorganizada e doutrinariamente indefinida. O chamado gnosticismo cristão chegou ao ápice de sua influência entre os anos 135 a 160 d.C., aproximadamente, embora continuasse a existir muito depois desses anos. No tempo dos apóstolos já existia o gnosticismo, só que não era conhecido com este nome. A Epístola aos colossenses é uma verdadeira apologia contra o gnosticismo.
Cristianismo |
Gnosticismo |
| 1. Deus é criador do céu e da terra. | 1.Deus é transcendente, não criou o homem, nem a terra. |
| 2. Jesus Cristo nasceu, teve um corpo, morreu como homem. | 2. Jesus Cristo não tinha forma nem corpo definido: era um ser espiritual que se adaptou à percepção humana, não aceitam a dupla natureza de Cristo; de um Deus com um corpo humano. |
| 3. Jesus Cristo sofreu com sua crucificação, o que legitimava o martírio dos cristãos. | 3 A natureza de divina de Jesus Cristo transcendeu o sofrimento. |
| 4. O martírio ajudava a divulgação da fé, aumentando, conseqüentemente, o número de adeptos. | 4. Não tem sentido o ser humano sofrer. É mais difícil viver como cristão do que morrer como cristão. |
| 5. Quem confessar o credo e se batizar é cristão, estando a igreja aberta a recebê-lo | 5. O batismo não faz o cristão e sim a evidência de sua maturidade espiritual que determina o convite à iniciação reservada. |
| 6. Dirige o homem à igreja. Não há salvação fora da igreja. O pastor apontará o caminho da salvação. | 6.Dirige o homem ao seu interior e incentiva nele a capacidade de se descobrir seu próprio caminho. |
| 7. O pecado conduz ao sofrimento. | 7. A ignorância leva ao sofrimento. |
| 8. A hierarquia clerial exige que os crentes a aceitem como guias | 8. Comunicam-se com Deus em momento de oração espiritual, dispensando guias intermedi. |
DEÍSMO
As origens do Deísmo Durante o século XVII o protestantismo desenvolveu um sistema ortodoxo de doutrina para ser aceito intelectualmente. Gerando assim um novo escolasticismo, particularmente entre os luteranos da Alemanha, os quais estavam mais interessados na teologia do que na prática da vida cristã. O racionalismo aparece então, e se desenvolve nos séculos XVII e XVIII, se expressando através do deísmo como resposta a este escolasticismo. O deísmo criou um sistema de fé num Deus transcendente que abandonou sua criação ao governo das leis naturais descobertas pela razão. Deus se torna ausente. Para o deísmo Deus está acima e além da sua criação. Seus Ensinos O deísmo parecia estabelecer uma religião ao mesmo tempo natural e científica. Uma religião sem revelação escrita, enfatiza o céu como uma realidade totalmente distinta da terra com a lei moral. Os deístas ensinavam que as leis naturais da religião eram encontráveis pela razão – era a crença num Deus transcendente entendido como Causa primeira de uma criação marcada pelas seqüências de um plano. Eles criam que Deus deixou sua criação reger-se por leis naturais; assim, não havia lugar para milagres, nem para a Bíblia como revelação e Deus, nem para providência ou para Cristo como um Deus-homem. Somente Deus deveria ser cultuado pois Cristo era simplesmente um mestre. A piedade e a virtude eram o culto mais importante que se podia prestar a Deus, cujas leis éticas estão na Bíblia. O homem tinha que arrepender-se do erro e viver conforme as leis éticas, pois a alma é imortal e está sujeita a recompensa ou castigo depois da morte. Conceito Deísta Segundo o deísmo, a preservação divina consiste no fato de que Deus não destroi as obras das Suas mãos. Deus dotou a matéria de certas propriedades, colocou-a sob leis inalteráveis e depois deixou-a mover-se por si mesma, independentemente de todo o suporte ou direção de fora. Este conceito é errôneo, porque torna a criatura autosubsistente, afasta Deus para longe da criação de modo que a comunhão com Ele vem a ser uma impossibilidade prática, e ainda porque o ensino bíblico é que Deus não é só transcendente, mas também imanente nas obras que criou. O Deísmo admite que haja um Deus pessoal, que criou o mundo; mas insiste em que, depois da criação, Deus o entregou para ser governado pelas leis naturais. Em outras palavras, ele deu corda ao mundo como quem dá corda a um relógio e o deixou sem mais cuidado da sua parte. Dessa maneira não seria possível haver nenhuma revelação e nenhum milagre. Esse sistema, às vezes, chama-se racionalismo, porque eleva a razão à posição de supremo guia em assuntos de religião; também se descreve como religião natural, como oposta à religião revelada. Tal sistema é refutado pelas evidências da inspiração da Bíblia e as evidências das obras de Deus na história. A idéia acerca de Deus, propagada pelo deísta, é unilateral. As Escrituras ensinam duas importantes verdades concernentes à relação de Deus para com o mundo;: primeira, sua transcendência, que significa sua separação do mundo e do homem e sua exaltação sobre eles. ( Is. 6.1 ); segunda, sua imanência, que significa sua presença no mundo e sua aproximação do homem ( At 17.28; Ef. 4.6 ). O deísmo acentua demais a primeira verdade enquanto o pateísmo encarece demais à segunda. As Escrituras apresentam a idéia verdadeira e absoluta. Deus, de fato, está separado do mundo e acima do mundo; por outro lado, ele está no mundo. Ele enviou seu filho para estar conosco, e o Filho enviou o Espirito Santo para estar em nós. Desta maneira a doutrina da Trindade evita os dois extremos. Á pergunta, “ Está Deus separado do mundo ou está no mundo ? ” a Bíblia responde: “ Ele está tanto separado do mundo como também está no mundo .” Líderes do movimento Edward Herbert, Lord de Cherbury ( 1583-1648 ), apresentou os pontos básicos que pode ser resumido na seguinte frase: Deus existe, e pode ser cultuado pelo arrependimento e por uma vida de tal modo digna, que a alma imortal possa receber a recompensa eterna em vez do castigo. Charles Bloynt ( 1654-1693 ) foi outro deísta influente. John Tolarndt ( 1670-1722 ), Lorde Shaftesbury ( 1671-1713 ) e outros pregaram que o cristianismo não era um mistério e poderia ter sua autenticidade verificada pela razão. E tudo que não pudesse ser provado pela razão deveria ser recusado. Difusão do deísmo No século XVIII difundiu-se na França, pois encontrou nos filósofos deste século um ambiente propício. Alguns deístas ingleses, como Hebert e Shaftesbury, foram à França e tiveram seus livros traduzidos e publicados amplamente; e também alguns deístas franceses, entre os quais Rousseau e Voltaire, também foram à Inglaterra. O deísmo de Rousseau foi desenvolvido no Emile e o de Voltarie está em todos os seus escritos contra a Igreja e a favor da tolerância. A migração de deísta ingleses, a divulgação dos escritos deísta e a presença de oficiais deísta do Exército Inglês nos Estados Unidos durante a Guerra de 1756-1763, ajudaram a introduzir o deísmo nas colônias. “ A Idade de Razão ”, de Paine, ( 1795 ), contribuiu para popularizar essas idéias deístas. O deísmo fracassou, pois o mesmo foi muito criticado, dezenas de livros foram escritos nos quais se discutiam suas teses. Porém, o que por último fez com que o deísmo perdeu o ímpeto foram os ataques do filósofo escocês David Hume.
DOCETISMO
Do segundo século até o Concílio de Calcedônia, em 451 d.C., surgiram diversas correntes de pensamento em torno da natureza de Cristo, gerando grandes controvérsias, que só foram decididas em concílios. Discultia-se se Jesus era só divino ou só humano, ou se ambos, quanto de divindade ou de humanidade tinha ele, e como que as duas naturezas se relacionavam na pessoa de Cristo. Entre essas correntes quero destacar o Docetismo.
Docetismo A palavra doceta vem de doketes, dokein ( parecer ). Para os docetas, Jesus era só divino. Não podia ser humano, pois consideravam que a matéria era intrinsecamente má. O corpo e o sofrimento de Jesus eram apenas aparentes, não reais. Era a filosofia grega se infiltrando nas igrejas. Existe um docetismo disfarçado na crença em um Ccristo tão distante da realidade humana, como o que se pode verificar na teologia popular católica, onde os “ santos ” estão mais próximo das pessoas do que Jesus Cristo. Segundo tratado do grande Set Aqui temos a doutrina do Docetismo segundo a qual o corpo de Cristo não era real, só aparente. - o Salvador é enviado a este mundo pela Assembléia Celeste;- encontra forças deste mundo e é crucificado;- ocorre o simulacro da paixão, pois negavam a realidade da crucificação;- retorna ao Plerona, o reino junto ao Pai, de Plenitude e Totalidade. O Apocalipse de Pedro Encontra-se nesses escritos um encorajamento dirigido às “ almas imortais ”, aos “ eleitos ”, como se autodenominavam os gnóticos, perseguidos pela “ grande igreja ”. Nota-se, também, um patente “ docetismo ”:- Na 1ª visão de Pedro, a denúncia da ameaça de morte que pairava sobre os gnósticos, por parte dos sacerdotes, que traficavam com a palavra do Senhor; aqueles charlatães que pretendiam possuir o destacarem dos outros, etc…- Na 2ª visão encontramos a distinção entre a aparência carnal de Jesus e a sua real natureza; diziam que enquanto os adversários acreditavam que o estavam crucificando, Jesus- o vivente, zombava deles perguntando: “ Aquele que tu vês sobre o madeiro, que se rejubila e ri, é Jesus Vivente. Mas aquele que está pregado pelas mãos e os pés é o seu invólucro carnal, o substituto… “ - Na 3ª visão encontramos o tema ortodoxo da ressurreição de Jesus e a interpretação gnóstica - a reunificação do corpo espiritual de Jesus com a luz do Pleroma celeste.
Bibliografia
SEVERA, Zacarias de Aguiar, Manual de Teologia Sistemática, A .D. Santos Editora,1999, 1ª Edição, Curitiba. ROLIM, Celio Augusto, Apostila sobre Gnoses Comparadas, Piracicaba, SP, 2005 OLIVEIRA, Raimundo F. de, História da Igreja dos Primórdios à Atualidade, EETAD, 1992, 2ª Edição, Campinas, SP.
DEFINIÇÃO SOBRE GNOSTICISMO, DEÍMO E DOCETISMO
POR ANDERSON DIAS MEYER
Trabalho sobre Gnosticismo, Deísmo e Docetismo
Segundo a exigência do curso de Bacharel em Teologia, pelo
pela Faculdade Evangélica de Teologia Seminário Unido
Pof: Clinton
Faculdade Evangélica Seminário Unido 3º Semestre 2005
